Há quem diga que canteiro “é o profissional que talha blocos de rocha bruta em formatos geométricos, de modo a permitir a utilização das pedras resultantes na construção”. Pode ser, mas o que conhecia era uma “porção de terra, ordinariamente rectangular, para flores ou hortaliças, ou para viveiro de plantas”. Nesta perspetiva há imensos canteiros por aí; mais pequenos, mais curtos, bem embelezados ou pintados das mais variadas cores… mas nem por isso deixam de ser guetos onde se conclui algo diferente ou preserva qualquer coisa, normalmente aquilo que não se faz noutros locais por falta de área ou iniciativa.
Em Guimarães, vai lá saber-se porquê!, os canteiros da horta pedagógica têm nomes que precipitam a exegese de guetos. Com siglas que só jogam bem quando ligadas ou coligadas com outras para ganharem alguma dimensão. Não será o caso que a foto retrata até porque, se se olhar com atenção, ela mostra uma sigla presa, manietada; há cordas finas que limitam a sua identidade e há mesmo um fio quase invisível que a aperta, tapando-lhe uma parte da letra. Claro que estamos só a falar da horta pedagógica de Guimarães, mas aquele canteiro parece transportar-nos para outros espaços, não é?, outros sítios onde se promete o paraíso.
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